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Tinga vê dreads como símbolo do legado que quer deixar como dirigente

O ex-jogador de futebol Tinga, 42, não corta o cabelo há 18 anos. Segundo ele, apenas a família o faria perder aquilo que expõe sua marca pessoal e cultura.

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Um dos raros dirigentes negros que passaram por clubes da elite do futebol brasileiro nos últimos anos, o gaúcho conta que já ouviu piadas sobre seus dreads em uma entrevista de emprego.

“Não me considero militante de nada. Nem tenho condições, não tenho nem conhecimento para isso. Eu tento é deixar o meu legado. Eu, com esse cabelo, ir onde eu tenho que ir, estar lá dirigindo um clube”, diz ele, que trabalhou como gerente de futebol do Cruzeiro em 2017, Ã  Folha.

Nesse sentido, Tinga entende que Pelé, independentemente de se posicionar publicamente ou não sobre o tema racismo no futebol, fez o que ninguém jamais conseguiu pela causa no esporte.Paulo

César Fonseca do Nascimento, apelidado em referência à Restinga, bairro periférico de Porto Alegre onde foi criado pela mãe, esteve em São Paulo no último mês para um evento de veteranos (a Legends Cup, organizada pelo São Paulo e em que ele defendeu o Borussia Dortmund-ALE).

Atualmente, o ex-atleta é dono de uma agência de viagens e também ganha dinheiro com palestras, mas não sabe quando voltará a trabalhar no futebol.

Como foi sua infância na Restinga? Minha família é como a da maioria dos brasileiros. Pobre, desestruturada. Quando eu tinha 7 anos, meu pai se separou da minha mãe, e ela ralou muito para cuidar da gente. Lembro da minha mãe chegando em casa às 18h do trabalho e pedindo para eu parar de fazer barulho na frente de casa, onde tinha um campinho, para ela dormir, porque às 22h tinha que sair para trabalhar de novo. Quando era no dia seguinte, 7h, eu e minha irmã íamos para a janela e ela estava lá com duas sacolas gigantes de comida e bebida, de coisas que não estávamos acostumados [a ter].

Eu pensei que, se minha mãe saía com uma sacola vazia e voltava com duas sacolas grandes cheias, trabalhar é bom. Na época, minha mãe trabalhava em um clube social. Nas madrugadas, ela limpava os banheiros e, quando acabavam as festas, tudo o que sobrava davam para ela.

Você foi um dos poucos dirigentes negros de um clube da elite do Brasil nos últimos anos. Esperava que depois aparecessem outros? Quando eu fui me preparar em gestão esportiva pensando em ser dirigente de futebol —que não era o caminho mais fácil, que é ser treinador—, eu não pensei que pudesse ser [pioneiro] nem que pudessem vir outros. Você começa a jogar com 15 anos, para com 35. Nenhuma pós-graduação precisa de tanto tempo. O jogador entende do negócio e pode contribuir, desde que esteja preparado e formado, o que é básico. Depois que eu fui me tocar que eu era o único negro, e aí vem mais esse legado.

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