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Saúde mental de atletas é prioridade após adiamento da Olimpíada

O adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, anunciado na terça-feira (24) pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pelo governo japonês, foi recebido com alívio pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil), que ainda espera a definição das novas datas para começar a redefinir o planejamento de olho no evento.

A pandemia da Covid-19, razão que forçou a mudança histórica no calendário da Olimpíada, tem impedido atletas do mundo todo de treinar com normalidade. Mas a principal preocupação do COB, ao menos neste momento, não é a parte física dos esportistas brasileiros, e sim a psicológica.

A Organização Mundial da Saúde tem uma cartilha com dicas para controlar o estresse e a ansiedade gerados pela disseminação da doença. Uma das principais recomendações do órgão é limitar a quantidade de notícias diárias consumidas.

“Essa é a grande preocupação do momento. A gente ainda está na primeira, segunda semana [de isolamento]. Se esse processo se estender muito, gera um impacto emocional grande. Os atletas são pessoas extremamente ativas, não estão acostumados ao processo de reclusão. Os profisisonais de preparação mental estão tentando antecipar situações de maior abalo”, diz à Folha o diretor de esportes do COB, Jorge Bichara.

Na semana passada, a entidade distribuiu aos atletas brasileiros um manual com recomendações para treinos, alimentação e prevenção do coronavírus.

O guia do COB também inclui uma seção para a saúde mental. Entre os conselhos enumerados no documento estão o estabelecimento de uma nova rotina, buscar informações médicas com a equipe do comitê e tentar manter o pensamento positivo diante da situação extraordinária.

“Use exatamente este momento para refletir e se fortalecer para buscar seu sonho olímpico”, diz um trecho do texto.

A entidade afirma estar atenta a possíveis casos emergenciais relacionados ao equilíbrio mental dos esportistas no período da pandemia e tem colocado psicólogos para o atendimento remoto a atletas.

“Quanto mais cedo eles souberem da situação de reorganização dos treinos e competições, mais fácil ficará para termos o mínimo de abalo. O impacto emocional é previsível”, afirma Bichara.

A psicóloga Sâmia Hallage, que já trabalhou com Diego Hypolito e hoje atende, entre outras modalidades, o vôlei de praia brasileiro, notou um quadro de angústia nos atletas nas últimas semanas, com a indefinição sobre o futuro da Olimpíada.

De acordo com ela, esse sentimento se intensificou com as dificuldades de treinar impostas pelo isolamento.

“Quando anunciaram o adiamento, os atletas tiveram um alívio. A gente está em um período diferente do que vive normalmente. O que trabalho com eles é que precisamos usar esse período ao nosso favor”, diz a psicóloga, que tem atendido virtualmente os esportistas.

“Sobre a pandemia, nós não temos controle, mas sim sobre o nosso comportamento. Ter uma boa alimentação, descanso e treinar na medida do possível, de acordo com o que é passado pelas equipes, pelos preparadores. É um período de transição, uma pausa. Mas uma pausa ativa”,

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