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Quarentão, urso Misha viveu no Japão e conheceu Drummond no Brasil

Chega a ser injusto com Vladimir Salnikov, Teófilo Stevenson, João do Pulo e tantos que deixaram sua marca na Olimpíada de 1980, mas a imagem que logo vem à mente quando se recordam os Jogos de Moscou geralmente não é a de um atleta. O hoje quarentão Misha sobrevive como uma das figuras mais icônicas da história da competição.

Mikhail Potapych Toptygin é o nome completo de Misha –diminutivo de Mikhail–, mascote que chamou a atenção sobretudo na cerimônia de encerramento daquela edição olímpica, em 3 de agosto. Toda a tensão ligada ao ambiente geopolítico conturbado foi ao menos momentaneamente quebrada pelo ursinho, que derramou lágrimas pelo fim da festa esportiva na União Soviética.

O choro foi produzido em um mosaico na arquibancada do estádio Lenin. Pouco depois, uma versão gigante e tridimensional do urso deixou a arena pelo alto. Partiu suspenso por balões enquanto –ao som de “Adeus, Moscou”, poema de Nikolai Dobronrarov musicado por Aleksandra Pakhmutova– terminava uma Olimpíada boicotada pelos Estados Unidos e por parte do mundo ocidental.

Como descreveu a editora AST Deti, “a imagem do urso olímpico criada por Viktor Aleksandrovitch Chizhikov tocou o coração de milhões”.

Sempre lembrado pelo desenho de Misha, o ilustrador de livros infantis morreu no mês passado, aos 84 anos, quando se comemoravam quatro décadas da abertura da Olimpíada russa. Para a AST Deti, à qual era ligado, “foi simbólico que tenha nos deixado enquanto lembrávamos os Jogos de 1980”.

Chizhikov conquistou seu lugar na história do esporte dando contornos doces a um símbolo popular. No processo de seleção da mascote, que teve a participação do jornal Sovetski Sport, boa parte das 45 mil cartas enviadas ao diário pediam que ela fosse um urso.

Um grupo de artistas produziu 60 versões, e a que ficou conhecida como o simpático Misha superou desenhos que retratavam o animal em traços mais ferozes. De acordo com o autor, o toque final lhe surgiu em um sonho, e ele correu para incluir no bichinho rechonchudo um cinto de halterofilista com anéis olímpicos.

Antes mesmo dos Jogos, o ursinho se tornou um fenômeno de marketing, algo irônico no contexto da Guerra Fria travada pela socialista União Soviética contra os capitalistas Estados Unidos. Foram produzidos os mais variados produtos com a imagem da mascote, bem usada pelo governo de Leonid Brezhnev e que ganhou espaço até no território norte-americano.

A empresa R. Dakin & Co. comprou os direitos comerciais de Misha pelo que seu presidente chamou de “vários milhares de dólares”. “Estando no ramo de bichinhos pelúcia e conhecendo a força dos ursos, eu tinha certeza de que seria um sucesso”, afirmou Harold A. Nizamian, em entrevista de 1982 à Inc. Magazine.

A Dakin chegou a produzir 240 mil ursinhos por mês até que a União Soviética invadisse o Afeganistão, em 1979, o que precipitou a decisão de

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