Carlos Cordeiro, o presidente da federação de futebol dos Estados Unidos (US Soccer), renunciou na noite de quinta-feira (12), poucos dias depois de a organização ter afirmado em documentos judiciais que “ciência indisputável” provava que as jogadoras da seleção feminina de futebol do país, ganhadora da última Copa do Mundo, eram inferiores aos homens.

Diante de protestos das jogadoras da seleção feminina em campo, de críticas de importantes patrocinadores da federação, e da reprovação de membros do conselho de diretores da US Soccer, Cordeiro decidiu que sua posição era insustentável.

“Minha primeira e única missão sempre foi fazer o que é melhor por nossa federação, e se tornou claro para mim que o melhor agora é uma nova direção”, ele escreveu no comunicado em que anunciou sua renúncia.

O anúncio veio 24 horas depois que Cordeiro tentou conter a reação adversa ao pedir desculpas por uma série de petições judiciais, no processo das jogadoras da seleção feminina por discriminação de gênero e igualdade no pagamento.

Nos documentos, os advogados da federação argumentavam que era preciso mais “técnica” e “responsabilidade” para jogar na seleção masculina do que na seleção feminina.

Os argumentos, apresentados em um momento de distanciamento cada vez mais incontornável entre as jogadoras e a US Soccer, que se preparam para o julgamento do processo em maio, enfureceu as futebolistas e também pelo menos três dos poderosos membros do conselho da federação.

“Ver misoginia e sexismo gritantes nos argumentos usados contra nós foi realmente decepcionante”, disse a meio-campista Megan Rapinoe depois da vitória da seleção americana sobre o Japão, por 3 a 1, na SheBelieves Cup, organizada pela US Soccer, na quarta-feira (11).

“Sei que estamos envolvidos em uma disputa contenciosa”, disse Rapinoe em conversa com jornalistas em Frisco, Texas, “mas o que eles afirmaram ultrapassou completamente os limites”.

Chris Ahrens, antigo atleta paraolímpico, se declarou “profundamente perturbado, entristecido e zangado com os comentários” e solicitou uma reunião com os líderes da federação e com os integrantes de sua equipe judicial.

Don Garber, comissário da Major League Soccer, a principal liga de futebol masculino dos Estados Unidos, e membro veterano do conselho da US Soccer, anunciou em comunicado que havia expressado a Cordeiro “o quanto considerei inaceitáveis e ofensivas as declarações que constam daquela petição”.

Cindy Cone, vice-presidente da federação e ex-jogadora da seleção feminina de futebol americana, declarou na quinta-feira que estava “ferida e triste pela petição apresentada pela federação”. Ela acrescentou que desautoriza “essas declarações perturbadoras”.

Cone, eleita para a vice-presidência no ano passado, substituirá Cordeiro.

Rapinoe afirmou que as petições, apresentadas por alguns dos advogados que encararão as jogadoras durante as negociações do contrato coletivo de trabalho da seleção feminina, no ano que vem, haviam causado “dano irreparável” ao relacionamento entre a equipe e a US Soccer. Mas também parecem ter prejudicado o importante relacionamento entre a federação e seus patrocinadores.

Coca-Cola,

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