Filippo Antonelli recorda os dias em que as pessoas não atendiam as suas ligações. Como diretor esportivo do Monza – um clube de futebol com orçamento ínfimo e horizontes estreitos, que disputa o campeonato da terceira divisão italiana -, ele não tinha muita influência junto aos seus pares. Para discutir um jogador com outro clube, ou para fazer ofertas de venda ou compra de atletas, ele em geral precisava telefonar “quatro ou cinco vezes” antes que o interlocutor se dignasse a atender.

As coisas mudaram um pouco, agora. Hoje em dia, Antonelli sabe que quase todo mundo o atende na primeira ligação, tão logo vê seu nome na tela. Mas o mais comum é que “eles me liguem primeiro”. Tudo muda na Itália, compreendeu Antonelli, se você trabalha para Silvio Berlusconi.

À primeira vista, o Monza pouco mudou ante o clube que sempre foi – uma equipe modesta, provinciana, em cuja sede os pais dos jogadores do juvenil, o pessoal da comissão técnica e muitos moradores locais mais velhos se reúnem no café que ocupa posição central na área de treinamento. Eles bebem expressos, comem doces, folheiam jornais. As pessoas trocam cumprimentos calorosos antes de se encaminharem ao gramado para assistir aos treinos.

​Antonelli se acomoda a uma mesa, cercado de colegas. Ele tem um escritório no piso superior, na sede do clube, mas o café é um bom lugar para uma reunião improvisada com os olheiros, com calendários e listas espalhados pela mesa. Não há senso de sigilo, nenhuma segurança no portão, nenhum estacionamento lotado de carros esporte.

Mas por sob a superfície, as coisas mudaram. Em 2017, a carreira pública de Berlusconi parecia encerrada. Afundado em uma onda interminável de vergonhas e escândalos, ele havia sido forçado a renunciar como primeiro-ministro, quando a Itália foi varrida pela crise da dívida na zona do euro, e foi excluído do Legislativo ao ser condenado por fraude tributária.

O Forza Italia, o movimento político que o conduziu ao poder, continuava a existir, mas suas perspectivas eleitorais oscilavam muito. Depois de três décadas, ele havia por fim vendido a peça central de seus ativos: o Milan, clube de futebol que Berlusconi transformou no melhor time do planeta nas décadas de 1980 e 1990. Parecia que Berlusconi estava acabado, destinado a uma aposentadoria rica mas irrelevante.

E então, em setembro de 2018, Antonelli foi informado de que a Fininvest, a holding do império de mídia de US$ 5 bilhões controlado por Berlusconi, havia concluído a aquisição de seu clube. Ele sabia que existia um comprador interessado, e que o clube poderia mudar de mãos em breve. Mas não recebeu indicações de quem pudesse estar envolvido.

Um quadro dos assessores de mais confiança de Berlusconi foi colocado no comando do clube – entre os quais seu irmão Paolo, como presidente, e Adriano Galliani, por muito tempo o braço direito do empresário, como presidente do conselho -, e o trabalho de reforma do centro de treinamento e do estádio começou.

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