A NBA foi acusada de ajudar a operar academias de basquete na China nas quais crianças sofriam abusos regularmente por parte dos treinadores e funcionários, em instituições administradas pelo Estado, de acordo com um relatório ferozmente crítico que a rede de esportes ESPN veiculou na quarta-feira (30), e que uma vez mais colocou em destaque o relacionamento entre a liga de basquete e o o país sob governo autoritário.

O relatório, divulgado um dia antes da retomada dos jogos da NBA em uma temporada postergada por conta da pandemia do coronavírus, menciona diversos empregados dessas academias, que falaram sob a condição de que seus nomes não fossem divulgados.

Os empregados, de acordo com a ESPN, afirmaram que os treinadores chineses agrediam jogadores fisicamente, e que os atletas eram alojados em condições precárias e privados dos estudos que lhes haviam sido prometidos quando as academias iniciaram seu relacionamento com a NBA.

Um ex-treinador descreveu ter visto um treinador chinês atirar a bola na cara de um jogador e depois “chutá-lo na barriga”.

A NBA tinha três academias na China, entre as quais uma na região de Xinjiang, no extremo noroeste do país, onde o governo vem sendo acusado de cometer abusos dos direitos humanos contra os uigures, uma minoria étnica formada principalmente por muçulmanos.

“As acusações no artigo da ESPN são perturbadoras”, disse Mark Tatum, comissário assistente da NBA, em entrevista por telefone ao The New York Times. “Encerramos nosso envolvimento com a academia de basquete de Xinjiang em junho de 2019, e estamos reavaliando o programa NBA Academy na China”.

A presença da NBA em Xinjiang já havia atraído a atenção de legisladores em Washington. No final de junho, a senadora Marsha Blackburn, republicana do Tennessee, escreveu uma carta a Adam Silver, o comissário da NBA, perguntando que medidas a liga estava tomando para encerrar seu envolvimento com a instituição, tendo em vista os abusos generalizados.

Tatum respondeu com uma carta em nome da liga no dia 21 de julho, afirmando que a NBA “não tinha envolvimento com a academia de basquete de Xinjiang há mais de um ano”. A resposta da NBA parece ter sido a primeira admissão pública de que a academia foi fechada.

O governo chinês não respondeu de imediato, depois que o relatório da ESPN foi publicado, cedo na manhã de quinta-feira, no fuso horário de Pequim.

Um ex-treinador americano disse que, na academia de Xinjiang, quartos projetados para duas pessoas às vezes eram usados para alojar 8 a 10 atletas.

As duas outras academias ficam nas províncias de Zhejiang e Shandong, as duas no leste da China. Elas também deveriam oferecer educação aos estudantes, mas pelo menos um treinador americano se demitiu, de acordo com o relatório da ESPN, porque a escolarização prometida não existia.

De acordo com o site da NBA Academy, os jogadores nessas instituições têm idade de entre 14 e 18 anos.

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