Sue Walsh tinha 17 anos em 19 de março de 1980, quando se sentou em frente à TV para assistir ao noticiário. Desde o início do ano havia rumores que ela e outros atletas americanos preferiam não acreditar.

A notícia que eles temiam acabou confirmada naquela noite, quando o então presidente dos EUA, Jimmy Carter, anunciou que o país boicotaria a Olimpíada de Moscou. Os Jogos começaram quatro meses depois e foram encerrados em 3 de agosto.

“Eu olhava para a tela, sem acreditar. Era jovem e não entendia. Ainda não entendo, na verdade”, afirma Walsh à Folha 40 anos após um dos eventos mais marcantes da Guerra Fria, a disputa geopolítica entre os mundos capitalista e comunista.

Carter usou como justificativa para o boicote a invasão da União Soviética ao Afeganistão. Foi seguido por outras 65 nações. Os 80 países que participaram do evento, entre eles o Brasil, representaram o menor número em uma Olimpíada desde 1956.

Walsh tinha vaga garantida para competir na natação. Com o segundo melhor tempo nos 100 metros nado peito em 1979, ela era vista como candidata a uma medalha, mas no momento do anúncio do boicote não se preocupava com marcas. Nem sequer se concentrava na própria decepção. Pensava apenas em seus pais.

“Meu pai era professor, e éramos uma família de cinco irmãos. Lembrei os sacrifícios que ele havia feito para que eu pudesse nadar e competir. Lembrei que havia feito esforço enorme para comprar passagens para ir com a minha mãe a Moscou me ver representar os Estados Unidos. Tudo aquilo se perdeu”, conta.

Craig Beardsley não assistiu ao noticiário e não soube na hora da decisão do governo americano, ratificada cinco dias depois pelo comitê olímpico nacional. Com 20 anos na época, ele havia acabado seu treino na Universidade da Flórida. Seu técnico pediu para que ninguém fosse embora. Reuniu os nadadores no vestiário para contar a novidade.

“Já tinha ouvido falar na possibilidade, mas não levei a sério. Por que fariam aquilo? Quando nos contaram que não iríamos a Moscou, eu fiquei… Eu fiquei embasbacado. Não conseguia acreditar. Por quê? Como a nossa presença ou ausência mudaria a situação do Afeganistão?”, questiona-se Beardsley até hoje.

Ele via a si mesmo como um atleta próximo de atingir o auge. Estava certo. Dez dias depois da final olímpica da prova para a qual estava classificado, os 200 metros borboleta, bateu o recorde mundial. Seu tempo de 1min58s21 foi cerca de um segundo e meio mais rápido que o registrado pelo soviético Sergey Fesenko para ganhar o ouro em Moscou.

Entre os atletas americanos ouvidos pela Folha e que não viajaram para os Jogos, a resposta padrão foi, no fim de tudo, de aceitação. Beardsley diz ter batido o recorde porque se motivou para a temporada de provas universitárias que vinha pela frente.

Isso não serviu para Anita DeFrantz. Ela iniciou uma petição,

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