Darrell “Bubba” Wallace Jr., o único piloto negro na principal série de competição da Nascar, atraiu muita atenção e elogios por seu posicionamento em defesa de princípios que levaram à proibição da exibição da bandeira confederada em um esporte majoritariamente branco.

Mas, depois de anos de aceitação silenciosa do “rótulo racista”, nas palavras dele, ninguém ficou mais surpreso do que a mãe do piloto por ele ter se tornado uma figura central na movimentação que vem acontecendo no mundo do esporte com relação às questões raciais.

“Fiquei chocada”, disse Desiree Wallace, a mãe do piloto, em entrevista por telefone. “Calma lá, eu disse, estamos mesmo falando do meu filho? Aquele cara que só se incomoda com entrar no carro e pilotar? Estou alucinando, se ele realmente deixou de ser piloto de corrida para se transformar em ativista. Quem, o Bubba?”

Mas uma série de acontecimentos, especialmente o assassinato de um homem negro, Ahmaud Arbery, que estava fazendo jogging em um bairro predominantemente branco na Geórgia, fez com que Wallace perdesse a paciência, dizem o piloto e pessoas próximas a ele.

Diferentemente de outros atletas negros que agora estão se pronunciando durante o diálogo e debate sobre questões raciais e questionando a brutalidade policial, Wallace encontrou sua voz em um esporte no qual está cercado de colegas brancos. Muitos destes o apoiaram, mas outros mantiveram o silêncio.

Por muito tempo, Wallace, 26, tentou se concentrar exclusivamente nas corridas e não agitar a cultura de um esporte cuja base de fãs continua a ser predominantemente branca e conservadora. Desde que ele começou a correr, aos nove anos, pilotando um kart recreativo modificado, sua principal preocupação sempre foi andar rápido e cruzar a linha de chegada em primeiro lugar.

Wallace, nascido em Mobile, Alabama, cresceu na Carolina do Norte, o coração da Nascar, e costumava assistir a corridas com seu pai, Darrell Senior, que é branco, e às vezes com sua mãe, que é negra. Quando se tornou piloto, ele colocava o capacete e procurava se integrar.

“Nunca observei o mundo pelo prisma da cor e nunca achei que era tratado de maneira diferente por ser negro”, disse Wallace em entrevista por telefone. “Eu era jovem demais para compreender que estava desbravando caminhos, que era um pioneiro”.

Mas aos 13 anos, o pai de um piloto rival e um dirigente de prova usaram um epíteto racial para insultá-lo, e isso levou Desiree Wallace a se sentar com o filho para uma conversa séria.

Ele perguntou o que o epíteto queria dizer.

“São pessoas ignorantes, Bub”, Desiree Wallace recorda ter respondido, usando a versão abreviada do apelido que a irmã dela, Brittany, deu ao menino quando ele ainda era bebê.

Ela explicou também que “você não deve usar a violência e não deve brigar quando disserem isso a você. O modo certo de reagir é vencendo. Você conquista o respeito deles quando vence”.

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