Especialistas em combate ao doping já vinham discutindo ideias sobre como examinar atletas sem terem de bater em suas portas ao raiar do dia ou interrompê-los no jantar.

Então chegou o surto do coronavírus, e paralisou as atividades dos técnicos que aplicam exames antidoping –as pessoas que aparecem sem notificação prévia para recolher amostras de sangue e urina de atletas, usadas para determinar se eles estão sob o efeito de substâncias proscritas de melhora de desempenho.

Os exames antidoping estão virtualmente paralisados no esporte. Subitamente, todas aquelas conversas hipotéticas se tornaram muito menos teóricas.

Porque ninguém sabe quando voltará a ser seguro aplicar exames antidoping em pessoa, a Agência Antidoping dos Estados Unidos (USADA, na sigla em inglês), iniciou um experimento duas semanas atrás para determinar se era possível recolher amostras virtualmente. Em lugar de fiscalizar o processo em pessoa, os técnicos que aplicam exames antidoping poderiam fazer seu trabalho por telefone e videoconferência.

A Usada não teve de procurar muito por participantes voluntários, entre os quais atletas vistos como favoritos a medalhas nos Jogos Olímpicos do ano que vem em Tóquio. Katie Ledecky, uma das nadadoras mais dominantes do planeta, decidiu participar, e o mesmo vale para os corredores Noah Lyles, Allyson Felix, Emma Coburn e Aliphine Tuliamuk. Cerca de uma dúzia de outros atletas estão participando, disse Travis Tygart, presidente-executivo da Usada.

“Estávamos falando sobre isso, e preparando as bases para o projeto, há alguns meses”, disse Tygart. “A Covid-19 acelerou nosso ritmo e permitiu que colocássemos a ideia em prática”.

Ainda que o principal benefício em curto prazo seja minimizar dúvidas sobre o respeito dos atletas às regras de combate ao doping, na ausência dos exames regulares, o objetivo do programa virtual em prazo mais longo seria realizar os exames antidoping de modo mais fácil e menos intrusivo.

Ledecky disse que, ao longo dos anos, os técnicos de controle de doping costumavam aparecer em seu alojamento na universidade, em sessões de treino e em seu apartamento, onde ela passou por dois exames no começo de março, um período em que a preocupação sobre a Covid-19 já estava crescendo. Ela disse que fez uma limpeza completa em seu aparamento depois que o técnico saiu.

“Assinei para participar desse teste alegremente”, disse Ledecky sobre o experimento com exames virtuais. “Pareceu-me bem confortável”.

À primeira vista, o programa parece oferecer muita oportunidade para trapaça. A Usada tenta mitigar essa possibilidade usando recursos de videoconferência e algumas salvaguardas científicas mais diretas.

Os atletas de padrão olímpico já têm de cumprir as chamadas regras de paradeiro, que requerem que informem as autoridades antidoping onde exatamente estarão durante pelo menos uma hora a cada dia, para que um técnico de antidoping possa fazer visitas de surpresa. Nos testes virtuais, em lugar de alguém batendo à porta os atletas recebem um telefonema durante a hora em questão, e têm a obrigação de atendê-lo.

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