A menos de cinco meses da olimpíada de Tóquio, a federação de ginástica dos Estados Unidos propôs um acordo legal que envolveria indenizações multimilionárias para encerrar um capítulo sombrio e doloroso no qual centenas de atletas foram agredidas sexualmente por um médico que atendia a equipe nacional americana.

Simone Biles, a ginasta mais vencedora do esporte, não aceita. O mesmo vale para Aly Raisman, também ganhadora de uma medalha de ouro olímpica, e outras vítimas que nos últimos dias exigiram respostas publicamente, uma vez mais, sobre como o médico em questão, Lawrence Nassar, pôde molestar centenas de meninas e mulheres enquanto trabalhava para a USA Gymnastics.

Isso sob observação do Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos e de muitos treinadores que, como a federação, tinham a responsabilidade de proteger as atletas.

“Eles querem varrer a questão para baixo do tapete e esperar que as pessoas esqueçam a respeito enquanto assistem à Olimpíada deste ano”, disse Raisman na segunda-feira no programa “Today”, da rede de TV NBC, a responsável pela transmissão dos Jogos nos Estados Unidos.

Raisman também acusou as organizações olímpicas de acobertamento, ainda que não tenha dito exatamente o que está sendo acobertado, porque afirmou não dispor de informação suficiente. Essa falta de informação é o coração do problema.

Detalhes sobre a oferta de acordo em valor de US$ 217 milhões apresentada pela USA Gymnastics se tornaram públicos no mês passado e incluem uma cláusula que isentaria de responsabilidade diversas entidades e pessoas envolvidas no caso, entre as quais o Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos e o antigo presidente-executivo da USA Gymnastics, Steve Penny, assim, como os antigos coordenadores da equipe americana de ginástica, Marta e Bela Karolyi.

Os pagamentos propostos às mais de 500 vítimas de Nassar variam de US$ 82,55 mil a US$ 1,25 milhão, com os valores mais altos destinados a ginastas molestadas durante Olimpíadas ou campeonatos mundiais.

Mas a proposta não parece requerer que os dirigentes federativos ou olímpicos revelem outras informações que poderiam esclarecer de que forma Nassar conseguiu atacar tantas pessoas sem qualquer espécie de fiscalização que poderia tê-lo detido. John Manly, um advogado que representa Biles, Raisman e outras vítimas, diz que isso é inaceitável.

Houve numerosas investigações para determinar quem estava ciente das ações de Nassar, desde quando, e o que foi feito a respeito.

Um subcomitê do Congresso americano promoveu uma investigação, e o escritório de advocacia Ropes & Gray, contratado pelo Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos, realizou uma segunda.

Mas as sobreviventes afirmam que ainda não foram informadas sobre como Nassar pôde agir com tamanha impunidade ao atacá-las sexualmente sob o pretexto de lhes ministrar tratamentos médicos.

O Departamento da Justiça americano também está conduzindo uma investigação sobre abusos sexuais nos esportes olímpicos, mas não foram divulgadas informações sobre os resultados da investigação.
A falta de informação é tão preocupante para as vítimas que Biles,

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