Diário é coisa de criança e adolescente?

Muita gente pensa que sim, mas tem quem goste de fazer anotações mesmo depois de adulto. Inclusive no mundo do esporte.

Quando cobri basquete na Folha, na segunda metade da década de 1990, uma das reportagens de que mais me orgulho saiu de um diário.

No caso, o de Moacyr Daiuto (1915-1994), treinador da seleção brasileira masculina que conquistou a medalha de bronze na Olimpíada de Londres, em 1948. Foi o primeiro pódio do país nos Jogos Olímpicos em um esporte coletivo.

O técnico anotou com riqueza de detalhes os momentos da saga da equipe nacional rumo ao feito inédito na terra da rainha.

Descobri há pouco que Daiuto não é um caso único.

Trechos de um diário escrito por Jürgen Klinsmann, treinador que permaneceu somente 76 dias no comando do Hertha Berlin, vazaram. E causaram um grande barulho na Alemanha.

Como jogador, Klinsmann, hoje com 55 anos, foi um tremendo atacante, goleador, destacando-se por Stuttgart, Inter de Milão, Monaco, Tottenham e Bayern de Munique.

Na Copa de 1990, na Itália, destacou-se na Alemanha que ergueu a Taça Fifa ao derrotar na final a Argentina de Maradona.

Como treinador, conduziu a seleção de seu país ao terceiro lugar na Copa da Alemanha, em 2006, e os EUA às oitavas de final na Copa de 2014, no Brasil.

No final de novembro do ano passado, aceitou o desafio de assumir o Hertha, em dificuldades na Bundesliga, no lugar de Ante Covic.

Mesmo investindo cerca de € 80 milhões (R$ 388 milhões pelo câmbio atual) na janela de transferências do inverno europeu, mais que qualquer outro clube do continente, acumulou apenas três vitórias, além de três empates e quatro derrotas (uma delas significou a queda na Copa da Alemanha), antes de anunciar em rede social o desligamento da função, no dia 11 deste mês.

Entre os recentes reforços da equipe da capital alemã, duas vezes campeã nacional (1930 e 1931), estão o polonês Piatek e o brasileiro Matheus Cunha, ambos atacantes.

O centroavante Krzysztof Piatek, por quem o Hertha pagou € 23 milhões ao Milan em janeiro; em cinco jogos, ele fez um gol (Odd Andersen – 31.jan.2020/AFP)

Passadas duas semanas, veio a bomba. A revista Sport Bild, de Hamburgo, obteve extratos de um diário que Klinsmann manteve enquanto comandava o Hertha.

Que traziam uma chuva de críticas às pessoas que ocupavam os cargos diretivos do clube, em especial o diretor de esportes, Michael Preetz, mas também o presidente, Werner Gegenbauer.

Klinsmann definiu Gegenbauer com uma pessoa mal-humorada que não honra sua palavra.

Sobre Preetz, no cargo desde 2009, disse que a relação dele com o time baseava-se em uma “cultura de mentiras que destruía a confiança mútua [da diretoria] com os jogadores”.

Para Klinsmann, o reinado do executivo resultou em “debilidades catastróficas no departamento de esportes” do Hertha.

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